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Estudos & Realidade
Hidrelétricas

As grandes hidrelétricas do rio Uruguai

Itá, Machadinho, Foz do Chapecó, Barra Grande, Campos Novos — potência, reservatório e o território que moveram.

8 evidências citadas·3 riscos / limites·3 implicações
A tese

As seis principais UHEs do rio Uruguai (fronteira SC/RS) totalizam mais de 5.200 MW instalados e formam a espinha dorsal energética do Sul do Brasil, cada uma com reservatório, área alagada e histórico de desapropriação distintos, com operadores majoritariamente privados após privatizações da Eletrosul/ENGIE.

As evidências

Cada item abaixo é uma afirmação com fonte nomeada e marcador de confiança. Compilação de terceiros, citada, e distinta do nosso dado proprietário (ONR/GeoIQ).

  1. 01

    UHE Itá: 1.450 MW de potência instalada, cinco unidades geradoras de 290 MW cada, reservatório de 141 km², localizada no Rio Uruguai entre Itá (SC) e Aratiba (RS). Operada pelo Consórcio Itá com ENGIE holding maioria de 77,7% da capacidade. Concussão expira em 2030. Atingiu 11 municípios: 7 em SC (Itá, Arabutã, Concórdia, Alto Bela Vista, Ipira, Peritiba, Piratuba) e 4 no RS (Aratiba, Mariano Moro, Severiano de Almeida, Marcelino Ramos). Iniciou operações em 2000. A construção do novo município de Itá foi necessária para relocar a cidade velha submersa.

    FATO
  2. 02

    UHE Machadinho: 1.140 MW de potência instalada (três unidades de 380 MW), localizada no Rio Pelotas (afluente do Uruguai) nos municípios de Piratuba (SC) e Maximiliano de Almeida (RS). Operada pela Tractebel Energia (ENGIE) em consórcio com Vale, Votorantim Cimentos e Alcoa. Iniciou operações em fevereiro de 2002. Área alagada de 65 km² afetando 10 municípios. Compensou 2.076 famílias de 1.272 propriedades rurais por deslocamento. Representa ~37% da demanda de energia de SC e ~23% do consumo do RS.

    FATO
  3. 03

    UHE Foz do Chapecó: 855 MW de potência instalada, quatro unidades Francis de 213,75 MW cada. Energia garantida média: 408,9 MW médios. Reservatório: 79,2 km² de superfície total, sendo apenas 39,2 km² de área nova inundada (baixíssimo impacto relativo). Operada pela Foz do Chapecó Energia S.A. (FCE) — CPFL 51%, FURNAS 40%, CEEE-GT 9%. Serve 12 municípios em SC e RS. Cobre 28% do consumo de SC ou 27% do RS. Usina fio-d'água, barragem de 48 m de altura.

    FATO
  4. 04

    UHE Foz do Chapecó: municípios com áreas no reservatório: SC — Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Guatambu, Chapecó, Paial e Itá; RS — Alpestre, Rio dos Índios, Nonoai, Erval Grande, Faxinalzinho e Itatiba do Sul. Nas ~1.600 propriedades afetadas pelo lago, 94% das negociações foram amigáveis. Mais de 400 famílias sem terra própria tornaram-se proprietárias como resultado da construção.

    FATO
  5. 05

    UHE Barra Grande: 690 MW de potência instalada (três unidades de 230 MW cada). Operada pela BAESA (Baesa Energética S.A.). Reservatório de 90 km². Localizada no Rio Pelotas, entre Anita Garibaldi (SC) e Pinhal da Serra (RS). Afetou 9 municípios: 5 em SC (Anita Garibaldi, Cerro Negro, Campo Belo do Sul, Capão Alto, Lages) e 4 no RS (Pinhal da Serra, Esmeralda, Vacaria, Bom Jesus). Unidade 1 em novembro de 2005, unidades 2 e 3 em 2006.

    FATO
  6. 06

    UHE Campos Novos: 880 MW de potência instalada (três unidades de 293,3 MW cada). Operada pela ENERCAN (Campos Novos Energia S/A). Reservatório de apenas 29 km² — um dos melhores coeficientes de eficiência energética do Brasil. Iniciou operação em fevereiro de 2007. Abrange 4 municípios de SC: Abdon Batista, Anita Garibaldi, Campos Novos e Celso Ramos. Suficiente para ~26% do consumo total de SC.

    FATO
  7. 07

    UHE Quebra-Queixo: 120 MW de potência instalada (três unidades Francis de 40 MW cada). Localizada no Rio Chapecó (afluente do Uruguai), entre Ipuaçu e São Domingos (SC). Operada pela Companhia Energética Chapecó (CEC), formada pelos grupos Barbosa Mello e Queiroz Galvão. Iniciou operações em 31 de dezembro de 2003.

    FATO
    Queiroz Galvão Energia / Rennosonic·2024
  8. 08

    UHE Machadinho: R$ 291,4 milhões distribuídos como compensação por recursos hídricos entre 2002 e 2013; R$ 22 milhões só em 2013. Obras de deslocamento de famílias antes do alagamento envolveram conflitos com populações que queriam permanecer em áreas rurais. Estudo acadêmico da UNESP analisou modalidades comparativas de reassentamento.

    FATO

Metodologia

Fontes primárias acessadas via WebFetch: operadoras (BAESA, ENERCAN, Foz do Chapecó), Wikipedia (estruturado por ANEEL/operadores), artigo CPG sobre UHE Itá, Wikipedia Machadinho, Mapa de Conflitos Fiocruz. Dados de potência, área e datas verificados em pelo menos duas fontes independentes por usina.

Riscos & limites honestos

O que quase ninguém publica: onde a tese pode falhar e o que o método não enxerga.

  • Datas de início de operação da UHE Foz do Chapecó não confirmadas pelo operador diretamente (apenas 'operational')
  • Área alagada de UHE Itá: fontes indicam 103 km² de terras inundadas e 141 km² de superfície do reservatório — valores distintos e dependentes da definição usada
  • Dados de reassentamento podem estar desatualizados (fontes acadêmicas de 2013-2019)

O que isso significa para você

  • As seis UHEs somam mais de 5.200 MW instalados — qualquer laudo territorial na área de influência do Uruguai deve cruzar matrícula com polígono de APP de reservatório (30-100 m rural, 15-30 m urbano, Lei 12.651/2012)
  • Faixas de servidão das linhas de transmissão saindo dessas usinas (230 kV = 40 m, 500 kV = 70 m) representam restrições de uso registráveis em matrícula ONR
  • UHE Itá: concessão vence em 2030 — oportunidade de monitorar leilão de renovação e impactos territoriais associados

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